Adoção Tardia

Já pensou na idade média com que uma criança é adotada? Em regra bebês são adotados mais rapidamente, enquanto crianças mais velhas tendem a permanecerem por mais tempo aguardando na fila de adoção.



Adoção tardia está relacionado ao processo de adoção de crianças que já possuem uma faixa etária classificada como avançada.


Embora não haja uma idade mínima para caracterizar a adoção tardia, ela pode ser considerada após os 03 anos de idade, justamente porque nessa idade as crianças, em tese, já conseguem se comunicar sozinhas, já sabem andar, não usam mais fraldas, ou seja, a criança nessa idade já não é mais um bebê, visto que já possui um certo desenvolvimento parcial em relação à sua autonomia e sua interação com o mundo.


No Brasil, a fila composta por pretendentes que desejam adotar é 46,3 mil. Acontece que, de acordo com Cadastro Nacional de Adoção, 8,9 mil crianças e adolescentes em todo o país estão aptas para receberem uma família. Como o número de pretendentes é muito maior do que o de crianças e adolescentes disponíveis para adoção, seria de se esperar que todas essas crianças e adolescentes encontrassem um lar. Porém, não é isso que acontece, já que a realidade é outra.


Mais de 75,9% são maiores de 05 anos de idade, logo, existe um verdadeiro desencontro com o perfil desejado dos pretendentes que se encontram na fila da adoção, uma vez que a criança idealizada por tais pretendentes habilitados, normalmente, é um bebê, branco, sem irmãos e sem históricos de doenças ou deficiências.


O problema é que o perfil solicitado no imaginário popular só faz aumentar a demora em conseguir um lar para estas crianças e adolescentes que se encontram na fila para adoção, fazendo com que continuem na casa de acolhimento até completarem 18 anos de idade.


Quando isso acontece são obrigados a deixar a instituição e sair em busca de uma vida adulta, sem antes ter experimentado a infância que mereciam ter tido junto ao seio familiar e repleta de momentos felizes. São crianças e adolescentes que desconhecem o que é ganhar um beijo de boa noite, um abraço apertado, um carinho na alma, mas aprendem desde muito cedo que a realidade lá fora muitas vezes é dura e, prontos ou não, precisam sair para encarar o mundo.


Pensar em adoção é descontruir convicções e refletir sobre a sua importância, respeitando, acima de tudo, a singularidade de cada indivíduo. Daí a importância de estabelecer estratégias que possam viabilizar de forma eficiente a adoção tardia, tendo como norte o direito da criança e do adolescente a uma convivência familiar e comunitária de segurança.


Mas não só isso, é necessário desenvolver um trabalho de conscientização de que essas crianças e adolescentes, cuja faixa etária estão acima do desejado, também sentem, amam, desejam pertencer a uma família estruturada, recebendo e doando afeto. São crianças e adolescentes que precisam de uma nova chance.


Para maiores informações sobre o Cadastro Nacional de Adoção acesse a pagina do Conselho Nacional de Justiça.





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