Relacionamento abusivo e o isolamento social

Atualizado: Mai 14

O relacionamento abusivo pode acontecer ainda que não haja a violência física. Porém, a sensação de confinamento pode aumentar a tensão e o risco de violência doméstica, nesse momento é muito importante saber o que fazer e como pedir ajuda.



De acordo com dados do Ligue 180, desde o início das medidas de isolamento social decretadas pelos governos estaduais e municipais por conta da COVID-19, as ligações para o canal de denúncias de violência contra mulher aumentaram 9% em relação ao período anterior.


A ONU também solicitou aos países que tomassem medidas para combater o "horrível aumento global da violência doméstica" dirigida a mulheres e meninas, em meio à quarentena imposta pelos governos em resposta à pandemia da COVID-19.


No Brasil os dados ainda são recentes, posto que as medidas preventivas de contenção começaram em meados do mês de março. Mas, conforme as medidas de isolamento social forem aumentando e o tempo dentro de casa também, aumentarão as situações de tensão e, consequentemente o risco de situações envolvendo violência doméstica.


Relacionamentos abusivos costumam manter um ciclo, com períodos de calmaria (fase da lua de mel), períodos de conflitos aumentam (fase da tensão) até que a violência se concretiza (fase de explosão). Na medida em que a convivência dentro de casa aumenta, as fases desse ciclos tendem a ser mais rápidas e mais intensas, por isso, o risco da violência aumentar durante esse período.


fonte - Governo de Santa Catarina


Expliquei nesse vídeo como funciona o ciclo de violência:






Diante dessa situação, considerando ainda que o acesso à rede de apoio das mulheres está menor. É muito importante a multiplicação de informações corretas sobre como pedir ajuda, quais serviços estão atendendo e como agir em uma situação de risco.


A Norma Técnica de Uniformização dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência Doméstica apresenta ao final do texto, uma sugestão de Plano de Segurança para ser construído em conjunto com as mulheres atendidas pelos serviços da rede de atendimento.


Com base nesse instrumental, listamos aqui algumas sugestões que podem orientar mulheres em situação de perigo:


1. Manter contato com sua rede de apoio: Fazer uma lista de pessoas a quem possa recorrer e falar sobre sua situação. Ainda que não existam encontros presenciais, é muito importante manter o contato virtual com essa rede, por grupos de mensagens, telefone ou pelas redes sociais.


2. Separar um kit de socorro: reunir os bens pessoais mais importantes e deixar sob a guarda de uma pessoa de confiança, sendo que as chaves da residência e do automóvel, caso ela o possua, devem estar sempre em seu poder;


3. Manter o celular sempre próximo: deixar na discagem rápida do celular os números da polícia militar e da guarda civil;


4. Inventário da casa: fazer um levantamento dos objetos de risco (armas, facas, tesouras) que existam dentro da casa e tentar de retirá-los do local;


5. Segurança em casa: Pensar em opções para se manter segura em uma situação de emergência. Por exemplo, se a discussão começar, se aproximar de uma janela onde seja possível ao vizinho ouvir o que está acontecendo.


6. Peça ajuda: comunicar vizinhos e/ou polícia da situação e pedir ajuda. Pode-se combinar um sinal com os(as) filhos(as) ou com os vizinhos para que eles(as) busquem socorro.


7. Alojamento temporário: Caso precise sair de casa é possível buscar um alojamento temporário com alguém da família. Os serviços da Assistência Social também oferecem a opção de abrigamento para mulheres em situações graves de violência doméstica – ela deve ser lembrada de que os locais deverão permanecer em segredo;


8. Proteja-se: Lembrem-se que no decorrer de uma agressão física, você deve fazer tudo o que puder para garantir sua proteção física.


O momento que estamos vivendo é muito delicado, e as mulheres que estão em situação vulnerável podem ficar ainda mais inseguras. Divulgue informações, tenha atenção, e se necessário denuncie e peça ajuda.


Onde Denunciar?


Ligue 180 (Gratuitamente) – Central de Atendimento à Mulher em situação de Violência

Disque 100 (Gratuitamente) – Disque Diretos Humanos


O Governo Federal lançou essa semana um aplicativo para denúncias batizado de Direitos Humanos BR, disponível para os sistemas Android e IOS e apresenta um passo a passo completo para que o denunciante registre a reclamação de maneira prática e segura.


No estado de São Paulo, agora é possível registrar boletim de ocorrência online, pelo site da polícia civil.


Se você conhece alguém que está passando por algum situação de violência, forneça essas informações. Não tenha medo de pedir ajuda.


Qualquer dúvida ou sugestão de plano de segurança ou de outras plataformas para denuncia deixe nos comentários, vamos formar uma rede de informações e de apoio para quem precisa.


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